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martedì 22 luglio 2014

Eugenio de Andrade


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

Tenho fases


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles


Momentos


Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas cosas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. (...) Frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas.


António Lobo Antunes

sabato 3 maggio 2014

Biografia de Mario Quintana


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Mario Quintana


Mario de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista. É considerado um dos maiores poetas brasileiros do século 20.

Mario de Miranda Quintana nasceu prematuramente na noite de 30 de julho de 1906, na cidade de Alegrete, situada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Seus pais, o farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e Virgínia de Miranda Quintana, ensinaram ao poeta aquilo que seria uma de suas maiores formas de expressão - a escrita. Coincidentemente, isso ocorreu pelas páginas do jornal Correio do Povo, onde, no futuro, trabalharia por muitos anos de sua vida. 



O poeta também inicia na infância o aprendizado da língua francesa, idioma muito usado em sua casa. Em 1915 ainda estuda em Alegrete e conclui o curso primário, na escola do português Antônio Cabral Beirão. Aos 13 anos, em 1919, vai estudar em regime de internato no Colégio Militar de Porto Alegre. É quando começa a traçar suas primeiras linhas e publica seus primeiros trabalhos na revista Hyloea, da Sociedade Cívica e Literária dos Alunos do Colégio Militar. 

Cinco anos depois sai da escola e vai trabalhar como caixeiro (atendente) na Livraria do Globo, contrariando seu pai, que queria o filho doutor. Mas Mario permanece por lá nos três meses seguintes. 

Aos 17 anos publica um soneto em jornal de Alegrete, com o pseudônimo JB. O poema era tão bom que seu Celso queria contar que era pai do poeta. Mas quem era JB? Mario, então, não perde a chance de lembrar ao pai que ele não gostava de poesia e se diverte com isso. 



Em 1925 retorna a Alegrete e passa a trabalhar na farmácia de propriedade de seu pai. Nos dois anos seguintes a tristeza marca a vida do jovem Mario: a perda dos pais. Primeiro sua mãe, em 1926, e no ano seguinte, seu pai. Mas a alegria também não estava ausente e se mostra na premiação do concurso de contos do jornal Diário de Notícias de Porto Alegre com A Sétima Passagem e na publicação de um de seus poemas na revista carioca Para Todos, de Alvaro Moreyra.

Corre o ano de 1929 e Mario já está com 23 anos quando vai para a redação do jornal O Estado do Rio Grande traduzir telegramas e redigir uma seção chamada O Jornal dos Jornais. O veículo era comandado por Raul Pilla, mais tarde considerado por Quintana como seu melhor patrão. 



A Revista do Globo e o Correio do Povo publicam seus versos em 1930, ano em que eclode o movimento liderado por Getúlio Vargas e O Estado do Rio Grande é fechado. Quintana parte para o Rio de Janeiro e torna-se voluntário do 7º Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. Seis meses depois retorna à capital gaúcha e reinicia seu trabalho na redação de O Estado do Rio Grande.

Em 1934 a Editora Globo lança a primeira tradução de Mario. Trata-se de uma obra de Giovanni Papini, intitulada Palavras e Sangue. A partir daí, segue-se uma série de obras francesas traduzidas para a Editora Globo. 

O poeta é responsável pelas primeiras traduções no Brasil de obras de autores do quilate de Voltaire, Virginia Woolf, Charles Morgan, Marcel Proust, entre outros. 

Dois anos depois ele decide deixar a Editora Globo e transferir-se para a Livraria do Globo, onde vai trabalhar com Erico Verissimo, que lembra de Quintana justamente pela fluência na língua francesa. É por esta época que seus textos publicados na revista Ibirapuitan chegam ao conhecimento de Monteiro Lobato, que pede ao poeta gaúcho uma nova obra. Quintana escreve, então, Espelho Mágico, que só é publicado em 1951, com prefácio de Lobato.



Na década de 40, Quintana é alvo de elogios dos maiores intelectuais da época e recebe uma indicação para a Academia Brasileira de Letras, que nunca se concretizou. Sobre isso ele compõe, com seu afamado bom humor, o conhecido Poeminha do Contra.

Como colaborador permanente do Correio do Povo, Mario Quintana publica semanalmente Do Caderno H, que, conforme ele mesmo, se chamava assim, porque era feito na última hora, na hora “H”. A publicação dura, com breves interrupções, até 1984. É desta época também o lançamento de A Rua dos Cataventos, que passa a ser utilizado como livro escolar. 

Em agosto de 1966 o poeta é homenageado na Academia Brasileira de Letras pelos ilustres Manuel Bandeira e Augusto Meyer. Neste mesmo ano sua obra Antologia Poética recebe o Prêmio Fernando Chinaglia de melhor livro do ano. No ano seguinte, vem o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Esta homenagem, concedida em 1967, e uma placa de bronze eternizada na praça principal de sua terra natal, Alegrete, no ano seguinte, sempre eram citadas por Mario como motivo de orgulho. Nove anos depois, recebe a maior condecoração que o Governo do Rio Grande do Sul concede a pessoas que se destacam: a medalha Negrinho do Pastoreio.

A década de 80 traz diversas honrarias ao poeta. Primeiro veio o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Mais tarde, em 1981, a reverência veio pela Câmara de Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços de Passo Fundo, durante a Jornada de Literatura Sul-rio-grandense, de Passo Fundo.



Em 1982, outra importante homenagem distingue o poeta. É o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Oito anos depois, outras duas universidades, a Unicamp, de Campinas (SP), e a Universidade Federal do Rio de Janeiro concedem o mesmo tipo de honraria a Mario Quintana. Mas talvez a mais importante tenha vindo em 1983, quando o Hotel Majestic, onde o poeta morou de 1968 a 1980, passa a chamar-se Casa de Cultura Mario Quintana. A proposta do então deputado Ruy Carlos Ostermann obteve a aprovação unânime da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

 

Ao comemorar os 80 anos de Mario Quintana, em 1986, a Editora Globo lança a coletânea 80 Anos de Poesia. Três anos depois, ele é eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, pela Academia Nilopolitana de Letras, Centro de Memórias e Dados de Nilópolis e pelo jornal carioca A Voz. Em 1992, A Rua dos Cataventos tem uma edição comemorativa aos 50 anos de sua primeira publicação, patrocinada pela Ufrgs. E, mesmo com toda a proverbial timidez, as homenagens ao poeta não cessam até e depois de sua morte, aos 88 anos.


Poesias de Mario Quintana

O tempo



"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
 
Quando se vê, já são seis horas! 

Quando de vê, já é sexta-feira! 

Quando se vê, já é natal... 

Quando se vê, já terminou o ano...
 
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. 

Quando se vê passaram 50 anos! 

Agora é tarde demais para ser reprovado... 

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. 
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... 

Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
 
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. 
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. 

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará."


         




Bilhete



"Se tu me amas, ama-me baixinho

Não o grites de cima dos telhados

Deixa em paz os passarinhos

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."

                           




                          

mercoledì 26 febbraio 2014

Letteratura brasiliana



Si può dire che la metà di tutta la produzione letteraria proveniente dall’America latina sia brasiliana grazie alla quantità di opere pubblicate, alle numerose edizioni di romanzi, poesie e  opere teatrali. I grandi avvenimenti storici del Brasile sono stati molto spesso narrati dalla letteratura brasiliana: prima con lo stile barocco ed arcadico del Periodo Coloniale dal 1500 fino all’Indipendenza, nel 1822, per proseguire poi con il Periodo Nazionale. Soprattutto durante quest'ultimo periodo importanti movimenti letterari si collegano con gli avvenimenti sia politici che sociali del tempo: ad esempio coi 57 anni dell’Impero è coinciso il Movimento Romantico, mentre i primi decenni della Repubblica sono stati caratterizzati dal periodo Parnassiano e Realista al quale ha fatto seguito quello Simbolista, all’incirca a metà del secolo. Durante il ventesimo secolo nasce il Movimento Modernista, con il suo forte senso estetico d’avanguardia, che nel 1922 fu celebrato durante la famosa Settimana dell'Arte Moderna di San Paolo. È anche grazie alla sua influenza che la letteratura, così come la pittura, la scultura, l’architettura e la musica del Brasile sono state condizionate profondamente. 

martedì 25 febbraio 2014

La lingua brasiliana portoghese

lingua portoghese
Seconda solo alla lingua spagnola tra le lingue latine per diffusione, il portoghese è parlato da circa 210 milioni di persone ed è all’ottavo posto tra tutte le lingue al mondo, e al secondo come lingua romanza più parlata. Inoltre è lingua ufficiale sia dell’Unione Europea che del Brasile. 
Storia del portoghese
La lingua portoghese si iniziò a sviluppare con l’arrivo dei colonizzatori romani nella Penisola Iberica agli inizi del III secolo a.C. Partendo dal latino dei soldati romani, la lingua iniziò a prendere forma e poi a staccarsi dalle altre lingue romanze, soprattutto dopo la caduta dell’Impero Romano e l’invasione dei barbari del V secolo. Le prime testimonianze scritte in questa lingua risalgono al IX secolo; a partire dal XV secolo sarà invece una lingua formata e completa, con una sua copiosa letteratura.
Il latino volgare è la lingua madre di tutte le lingue romanze, dette anche lingue neo-latine. Con l’arrivo dei romani, si diffuse nella Penisola Iberica a partire dal 218 a.C. questa loro lingua. Dal II secolo, la Lusitania fu romanizzata. Strabone, un geografo greco del I secolo, appunta in un suo libro questa nota: “hanno adottato le abitudini romane e non si ricordano oramai della propria lingua”. Pian piano i soldati romani, i mercanti e i colonizzatori si stabilivano in città vicine ai centri urbani, contribuendo a una sempre maggiore diffusione della lingua.
Nel momento in cui l’Impero Romano iniziò a sgretolarsi, tra il 409 e il 711 d.C., ci furono invasioni di popoli differenti di origine germanica. Questi barbari (così venivano chiamati dai Romani), più che altro svevi e visigoti, iniziarono ad assimilare la lingua e la cultura esistenti in questa zona, ma dopo che l’amministrazione romana, e con essa le scuole, cessarono di esistere, l’Europa piombò in un periodo buio lasciando le comunità abbandonate a se stesse e isolate. La penisola iberica quindi non era più uniforme e il latino popolare si sviluppò in modo distinto a seconda delle zone. A causa di questa decadenza si formò la lingua romanza lusitana. Con l’invasione degli arabi, dal 711, venne imposta come lingua amministrativa quella araba, ma il popolo continuò comunque a parlare i vari dialetti romanzi. Dopo la cacciata degli arabi dalla penisola, la loro lingua non lasciò molti segni tangibili nella lingua popolare, restando soprattutto relegata al lessico.
Dal IX secolo arrivano le prime testimonianze del portoghese attraverso documenti amministrativi che contenevano diverse espressioni e frasi latine. Questo portoghese arcaico, parlato tra il IX e il XII secolo, viene detto proto-portoghese.
Sotto il re Alfonso Henriques, nel 1143, il Portogallo divenne indipendente. Nel periodo che va dal XII al XIV secolo, detto periodo portoghese-galiziano, il portoghese antico iniziò a generalizzarsi e a diventare popolare in tutta la penisola come lingua poetica. Fu re Diniz, nel 920, a decidere di eleggere la “lingua portoghese”, che allora veniva ritenuta lingua volgare (latino volgare), come lingua ufficiale e fondò a Lisbona la prima università portoghese (Etudo Geral).
Tra il XIV e il XVI secolo, detto secondo periodo del portoghese antico, la lingua si estese a varie zone di Asia, Africa e America a causa delle scoperte delle nuove terre. Durante il XVI secolo, il portoghese si trasformò in Asia e Africa in una lingua franca usata, oltre che dalle amministrazioni delle colonie, anche per il commercio e per comunicare con gli uffici locali e con gli europei di varie nazionalità. Il suo espandersi in ogni zona del mondo si deve anche alle coppie miste – portoghesi con indigeni – che si univano in matrimonio e ai missionari cattolici, che in molte zone asiatiche si chiamavano "Cristão" (cristiani), a cui questa lingua veniva associata. Fino al XIX secolo la lingua in queste zone continuò ad essere diffusa.
Nonostante la loro separazione dal Portogallo, alcune comunità cristiane presenti in India, Malesia, Sri Lanka ed Indonesia, scelsero di mantenere il portoghese come lingua ufficiale. Con il modificarsi nel tempo della lingua, in queste comunità si formarono diverse lingue creolo-portoghesi, alcune delle quali tuttora esistenti, nonostante i vari secoli di isolamento. Anche nella lingua Tetum, parlata a Timor Est, si sono riscontrate parole provenienti dal portoghese. Parole derivanti dal portoghese sono inoltre presenti nel lessico di lingue come il giapponese, il malese, l'indonesiano e lo swahili.
Con la pubblicazione, nel 1516, del Cancioneiro Geral di Garcia de Resende si fa coincidere la morte del portoghese antico. Dal XVI secolo fino ad oggi, nel periodo del portoghese moderno, si ha un progressivo aumento di parole provenienti dal latino classico e dal greco, le ultime delle quali adottate durante il Rinascimento, che contribuirono ad aumentare la difficoltà della lingua.
Portoghese europeo e brasiliano a confronto
Il portoghese che si parla in Portogallo, detto continentale, proviene dal latino; è infatti derivato dall’occupazione romana della penisola iberica durata più di 500 anni.
Il tipo di portoghese che prese forma in Brasile si originò dopo la colonizzazione da parte del Portogallo durante il ‘500. Il suo utilizzo effettivo iniziò però solo dopo che i gesuiti vennero espulsi nel 1759.
Ai giorni nostri esistono in Brasile circa 200 dialetti: 170 sono lingue autoctone che i popoli indigeni usano, mentre i rimanenti 30 dialetti, detti alloctoni, sono quelli usati dalle comunità con discendenza europea. Dato che il brasiliano non è una lingua vera e propria, si è adottato il portoghese come lingua ufficiale.

Le importanti differenze esistenti tra i due tipi di portoghese, quello europeo e quello brasiliano, derivano dalle diverse vicissitudini storiche vissute dai due contesti. Le differenze sono nel lessico, nella fonetica, nella sintassi, nell’uso dei tempi verbali e nello spelling.
Il portoghese brasiliano, per quanto riguarda i termini lessicali, risente della forte influenza delle lingue amerindie, che fin dal XIX secolo venivano parlate in determinate zone brasiliane: per esempio in portoghese europeo si usa la parola “ananas”, mentre in quello brasiliano diventa “abacaxi” (pronunciato abacascì).

Vi sono inoltre, nel portoghese brasiliano, forti influenze di lingua africana portate dagli schiavi provenienti dall’Africa.
Per quanto riguarda il lessico, si notano differenze soprattutto nei testi tecnici. Sono infatti entrati a far parte del portoghese brasiliano, anche per il fatto di un’espansione delle importazioni dagli Stati Uniti, di molti termini tecnici inglesi-americani, quali softwaremousesite, i quali sono sovente tradotti nel portoghese europeo come logicialrato e sitio.

Nella grammatica si hanno delle differenze per quanto riguarda l’uso dei verbi. Ad esempio nel presente progressivo, il portoghese europeo adotta l’infinito, mentre quello brasiliano il gerundio. La frase estou a trabalhar in brasiliano diviene estou trabalhando. Altre differenze si hanno nella posizione dei pronomi complemento: vengono usati prima del verbo nel portoghese brasiliano al contrario di come si usa in quello europeo: così se in Europa si diceAlguém disse-me, in Brasile si dice Alguém me disse.

Letteratura Brasiliana dal 1600 al 1900

Letteratura brasiliana

Durante il Periodo Coloniale parecchi tra gli scrittori più autorevoli, attratti dal fascino di questa nuova terra e dai relativi abitanti, furono gesuiti. Un breve elenco per citarne qualcuno: José de Anchieta (1534-1597), fu un poeta che evangelizzò gli indios; Gregório de Matos (1623-1696), famoso per le sue poesie dai tratti pieni di lirismo e misticismo, con una predilezione per una vena satirica; ed infine Padre Antônio Vieira (1608-1697), fu un noto predicatore. Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), Basílio da Gama (1740-1795) e Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) furono celebri come i poeti dell'Arcadia, grazie ai loro poemi lirici ed epici, e ricordati anche come membri del movimento di liberazione chiamato "Cospirazione di Minas" (Conjuração Mineira).

Lo spirito del Movimento Romantico arrivò nel 1808 direttamente dall'Europa, dove stava appena nascendo, grazie al trasferimento della famiglia reale portoghese in Brasile.
Nuovi concetti iniziarono ad essere trattati dagli scrittori brasiliani: la libertà delle persone, il soggettivismo e i temi sociali in generale. La diffusione della letteratura romantica, avvenuta in seguito all'indipendenza del Portogallo, portò all'esaltazione delle terre e degli abitanti brasiliani, con le descrizioni di com'era la vita delle città e non mancando di manifestare una forte preoccupazione per gli schiavi provenienti dall'Africa.
Tra i personaggi più noti del Periodo Romantico si possono citare i poeti Castro Alves (1847-1871), con i suoi racconti sugli schiavi africani, e Gonçalves Dias (1823-1864) che si soffermò invece sulle popolazioni native indiane. Il primo scrittore brasiliano della letteratura picaresca è Manuel Antônio de Almeida (1831-1861). José de Alencar (1829-1877) fu autore di molti romanzi di successo come Iracema (incentrato sugli indiani), o Guarani (romanzo storico), oltre ai numerosi romanzi che descrivevano questa terra, oltre che trattare delle popolazioni e di com'era la vita nelle città.
Il più grande scrittore brasiliano del XIX secolo è sicuramente Machado de Assis (1839-1908), grazie ai suoi romanzi e ai saggi di fama internazionale. Machado de Assis è tutt'ora uno dei più importanti e influenti romanzieri del Brasile. Lo stile romantico, misto a quello realista, che si trova nelle sue opere è paragonabile a quello che il francese Emile Zola e il portoghese Eça de Queiroz crearono in Europa. Euclides da Cunha (1866-1908) mette in prosa una letteratura che racconta della realtà sociale che si viveva in Brasile, come nella sua famosa opera Os Sertões (1902), dove racconta le vicende di un fanatico religioso a capo di una rivolta avvenuta nel Nordest del Paese.
Il Movimento Simbolista, sorto a fine secolo, vede in Cruz e Souza (1861-1893) e Alphonsus de Guimarães (1870-1921) i poeti più rappresentativi della letteratura brasiliana. Il misticismo era ciò che più affascinava i Simbolisti che esprimevano le loro idee tramite la metafora e l'allegoria.

lunedì 27 gennaio 2014

La letteratura brasiliana


Il primo documento che può definirsi di letteratura brasiliana, risale al 1500. Era una lettera scritta da Pero Vaz de Caminha ed indirizzata al re Manuel I del Portogallo. Per tre secoli la letteratura fu semplicemente  la descrizione di viaggiatori e testi religiosi dei gesuiti.

Romantismo (1836)
Il 1836 rappresenta la nascita del Romantismo, la letteratura brasiliana è giovane ma già cammina sulle proprie gambe. Fu la prima corrente letteraria autonoma dall'Europa. Si caratterizzava per l'esaltazione della bellezza della natura e degli indigeni. Il personaggio più illustre fu Jose de Alencar

Realismo (1895 - 1922)
Il Realismo si propagò nel paese grazie alle opere di Machado de Assis.Machado de Assis fu uno dei più grandi scrittori brasiliani, egli fondò la prestigiosa Academia Brasileira de Letras (l'equivalente della nostra Accademia della Crusca). Il Realismo, essendo un fenomeno mondiale, ebbe caratteristiche differenti a seconda delle zone del Brasile. La Semana de Arte Moderna rappresentò il trampolino di lancio di altri grandi scrittori della corrente. Fu un'occasione di rottura con il passato, il tutto sull'onta della sperimentazione. Quella settimana, A San Paolo, vennero fuori Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida e altri.
Nel XX secolo vi furono Clarice Lispector e Guimaraes Rosa che furono definiti romancistas instrumentalistas

 I nostri giorni

Attualmente Paulo Coelho rappresenta uno dei nomi più celebri. Anche Coelho è membro della Academia Brasileira de Letras Nonostante abbia esportato la letteratura brasiliana nel mondo, i critici del Brasile definiscono i suoi libri molto commerciali e nel contempo stesso segnalarono molti errori di grammatica portoghese nelle sue prime opere.
Altri scrittori fanno parte dell'epoca contemporanea ed hanno ricevuto il plauso della critica: Ignácio de Loyola Brandão, Rubem Alves, Moacyr Sciliar, João Ubaldo Ribeiro, Luís Fernando Veríssimo e altri.

La poesia Brasiliana:

Quinhentismo (1500 - 1600)
Era il perido del colonianismo. La poesia era importata e tendenzialmente erano testi di viaggiatori e scritti religiosi dei gesuiti. Era una poesia che si lasciava affascinare dal mondo brasiliano, così nuovo agli occhi dell'epoca. Il poeta maggiore fu Josè de Anchieta. Scrisse più di 4'000 versi sulla sabbia con il proprio bastone. Josè è conosciuto anche per aver fondato San Paolo.

Barroco (1601 - 1768)
Il Barroco fu il primo movimento in Brasile. Il principale poeta fu Gregorio de Matos, Bento Teixeira il precursore. Non pubblicò nulla in vita, le sue opere ci sono pervenute tramite la tradizione orale. La poesia fu caratterizzata da un certo attaccamento agli aspetti metrici. L'oggetto principale della poesia di questo periodo, fu l'esaltazione della figura femminile e dell'amore. La donna fu cantata nella sua bellezza ma, nel contempo stesso, nella sua pericolosità.

Arcadismo (1769 - 1789)
Anche chiamato Escola Miniera, era composto da un gruppo di intellettuali che includeva anche i Cospiratori (Movimento politico per la liberazione dal Portogallo). Cominciò con la pubblicazione di Obras Poeticas di Claudio Manuel da Costa e finì con la impiccagione di Tiradentes che diventò eroe nazionale.
I poeti di questa corrente, scrivevano in decasillabi e in rime. Oltre alle poesie sui paesaggi urbani, abbiamo poesie sui paesaggi naturali minieri, sui frutti della terra, sulla presenza degli indios. Gli scrittori di questa corrente erano famosi anche per la satira politica.
Gli esponentio di spicco:  Claudio Manuel da Costa, Tomás Antonio Gonzaga, Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto, Santa Rita Durão e Basílio da Gama.

Romantismo (1836 - 1920)
Nel 1836 Gonçalves de Magalhães publicò il libro di poesie "Suspiros poéticos e saudades". Questa pubblicazione e la stampa della rivista “Niterói”, nella quale scrivevano poeti e intellettuali, diedero vita al Romantismo in Brasile.
Con una estetica innovatrice, il Romantismo creò un nuovo linguaggio capace di dar risalto alle idee nazionaliste. Vi furono tre generazioni:
Prima generazione romantica: la poesia indianista, estremamente nazionalista:  Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias
Seconda generazione romantica: la poesia dell'inquietudine,della malinconia, del lamento e degli amori impossibili: Fagundes Varela, Álvares de Azevedo,  e Junqueira Freire.
Terza generazione romantica: Influenzati da Victor Hugo, i poeti di questa generazione valorizzavano la poesia occupata nelle lotte sociali. Era anche chiamata geração condoreira per aver come simbolo il condor, che vola alto. La poesia, per questi poeti, doveva toccare il cuore delle masse. Esponente di spicco fu Castro Alves che si impegnò nella lotta alla schiavitù.

Modernismo (1922 - 1945)
Era diviso in due fasi:

Prima fase: i poeti sancirono una rottura con il passato. L'intento era creare un'arte nuova con uno spirito nuovo. Si posero in aperta critica con tutto ciò che riguardava tecniche e principi, vi fu una rinnovazione del linguaggio stesso. Gli esponenti maggiori furono: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida.
Seconda fase: venne caratterizzata dal verso libero e da una poesia che si poneva interrogativi. Abbiamo gli esempi maggiori in:  Carlos Drummond de Andrade con poesie sociali e che riflettono sul ruolo dell'uomo nel mondo; Jorge de Lima con poesie mataforiche e metafisiche; Murilo Mendes con poesie surrealiste; Cecilia Meireles con la sua riflessione filosofica ed esistenziale.

Post-Modernismo

Il passaggio dal Modernismo al Post- Modernismo si ha con il Tropicalismo e con il movimento del Poema- Processo. I tratti del Post-Modernismo, sono evidenziati soprattutto nella poesia marginale. Quest'ultima era composta da giovani che cercavano una libertà nella creazione e nella scelta delle parole, oltre che una libertà dagli editori (la maggiorparte delle poesie erano scritte su foglietti). Tra i tratti marcanti di questo stile, abbiamo: intensificazione del luddismo nelle creazioni letterarie, eclettismo, sviluppo di posizioni antiborghesi . Negli anni 80 l'avvento degli yuppie caratterizzò la poesia con una riscoperta della stessa come mezzo pedagogico. Si stagliarono in questo periodo le figure diAdelia Prado e Manoel de Barros. 

http://gianzinho-culturabrasil.blogspot.it/2011/07/la-grande-letteratura-brasiliana.htm